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Como começar uma nova vida no exterior

  • Foto do escritor: Patricia Aquino
    Patricia Aquino
  • 19 de out. de 2022
  • 5 min de leitura

Atualizado: 11 de mai. de 2025

Quando pensamos em morar no exterior, imaginamos nas aventuras pelo mundo, experiências incríveis em uma nova cultura e até nas facilidades que o país escolhido pode oferecer. Muitas imagens surgem em nossas mentes e, como somos acostumados a apreciar o estrangeiro, idealizamos uma vida bem melhor que a vida no nosso país.

São inúmeras as motivações para se viver uma experiência desta e todas as pesquisas para tornar este sonho possível são essenciais neste processo.

A grande maioria das pessoas buscam conhecer os fatores externos de como viver em uma outra cultura e esquecem uma parte muito importante: a própria adaptação. Não é incomum mudar de país e se sentir perdido e até mesmo frustrado por ter dificuldades em se adaptar.

Buscar entender o processo de transição pode ajudar você a ter melhores resultados com sua vida no novo país.

Para quem não sabe, moro na Escócia desde 2017 e desde então, venho estudando sobre os efeitos da imigração em nossa saúde mental e, claro, também por ter vivido e atendido pessoas em meu consultório com queixas e sintomas por causa da adaptação. Nesta experiência percebi vivências comuns nas pessoas que moram fora.


A Síndrome do Forasteiro

Somos um povo latino, culturalmente quente e caloroso, que adora se enturmar e fazer novos amigos. No entanto, quando imigramos para países do hemisfério norte, por exemplo, as experiências são bem diferentes.

Por enquanto, estarei usando o Norte como exemplo, pois é nessa parte do globo onde temos países com maiores divergências culturais e comportamentais em relação ao Brasil.

As sociedades nortistas são mais fechadas, discretas e cultivam mais as tradições culturais do que a nossa. Isto pode fazer com que sinta dificuldade em ter relacionamentos tão rápido. Então, pensamentos de que não está se adaptando bem, que você não se reconhece mais, já que no Brasil você se considerava uma pessoa bem comunicativa, ou que não consegue se integrar na cultura, podem surgir.

Dê tempo ao tempo! O importante aqui é lembrar que isso é comum.

A desconfiança é algo saudável na medida certa. Por isso, não se feche tanto. Entenda que tanto você quanto as outras pessoas estão se acostumando com a sua presença nesse novo lugar.


A Síndrome do Patinho Feio

Diferente do forasteiro, onde você se sentia apenas um peixe fora d’água, aqui você não se vê apenas como alguém de fora, mas também inferior.

Recomenda-se que sempre que você mudar de país, se abrir para o novo é essencial. O autoconhecimento ajuda você neste momento. Ter seus valores e qualidades bem claros lhe ajuda a identificar o que é a adaptação e o que é realmente a sua responsabilidade com você mesmo. As pessoas deste novo país, tiveram experiências diferentes de você e sabem lidar com várias situações que ainda está aprendendo.

O perigo está em supervalorizar o outro e diminuir os aprendizados que já teve em sua vida. Então, pensamento como “Mas as pessoas desse país são mais inteligentes do que eu. São mais educadas” podem surgir. Esta autocrítica prejudica sua autoestima e dificulta seu crescimento neste novo país. O diferente não é melhor ou pior, é somente diferente. Aceite que você teve experiências, influências culturais e conceitos diferentes e é por isto que pensa e age da maneira de hoje, mas isto não quer dizer que não irá mudar. Lembre-se que estamos neste mundo para sermos melhores que ontem.


5 Melhores Dicas para Você Começar uma Nova Vida No Novo País:

  1. Aceite que vai demorar

  2. Vá para lugares que lhe dão prazer

  3. Relacione com pessoas que tenham a ver com você

  4. Pesquise muito o país de destino

  5. Faça psicoterapia



1. Aceite que vai demorar.

Aceitação no processo de adaptação vai ser algo crucial nessa sua nova jornada. Até mesmo quando mudamos de cidade ou estado dentro do Brasil, ficamos meio perdidos.

Imagine, então, quando estamos em um país totalmente novo.

Não se critique tanto querendo aprender tudo de uma só vez. Aos poucos, você vai entender como as pessoas funcionam, como é o ritmo da cidade onde você escolheu morar.

Assimilar tudo isto, principalmente em um país que fala uma língua diferente da sua, precisa de tempo. Em um processo de adaptação, algumas conquistas podem se tornar um pouco mais demoradas do que gostaria.

São nesses períodos em que sua resiliência será testada várias vezes.


2. Vá para lugares que lhe dão prazer.

Se você gosta de museus, vá em museus nesse novo lugar. Se o seu estilo é algo mais despojado, por que não barzinhos, pubs ou mesmo baladas?

O segredo é você se familiarizar com a cidade pelos pontos de referência que você frequentaria no Brasil.

Você não precisa mudar radicalmente o seu estilo de vida, mas faça pequenas adaptações, respeitando seu gosto no novo país e com aquilo que ele oferece.

Com certeza, as pessoas logo irão se acostumar com a sua presença nesses espaços e assim como uma pessoa conhecida terá mais chances de contatos sociais.


3. Relacione com pessoas que tenham a ver com você.

Essa parte é fundamental se você quer interações genuínas.

Muitas pessoas se sentem muito solitárias nos primeiros momentos na vida no exterior e buscam se relacionar para tentar aliviar os momentos mais difíceis. Criar laços de amizades realmente irá ajudar na adaptação e poderá proporcionar momentos agradáveis.

Mas cuide de você nestas relações e escolha com muita atenção as pessoas que irão fazer parte da sua vida. A vontade de conversar com alguém e de ter interações se torna, muitas vezes, uma necessidade de sobrevivência e, o filtro da seleção para relacionamentos, pode falhar. Isto pode, e muito, prejudicar sua vida no novo país.

Busque pessoas que tenha valores e princípios parecidos com os seus. As pessoas são diferentes, mas quando não há confiança, respeito, sinceridade, por exemplo, as relações se tornam tóxicas. Acredito que uma boa pergunta para se fazer nesta área é: No Brasil, você iria ser amiga desta pessoa? Por quê?

Você não precisa abandonar quem você é para se adaptar. Isto irá lhe agredir e poderá adoecer emocionalmente.


4. Pesquise muito o país de destino

Saiba a história do país, quais os hábitos dos cidadãos e até mesmo a situação política desse novo destino. Se munir de conhecimentos e habilidades que serão necessárias para se sair bem nesse país, será determinante para o seu sucesso ou fracasso.

Entenda como eles lidam com a religião, como é a gastronomia do país.

Às vezes, o país pode fornecer uma qualidade de vida altíssima, mas há algo nele que vai contra o que você acredita. Pense se vale a pena.

Coloque na balança todos os prós e contras desse novo destino em potencial.


5. Faça psicoterapia

Procurar ajuda de um profissional pode lhe ajudar quando o assunto é lidar com os desafios da vida no exterior. Quando mudamos passamos por vários lutos. Perdemos o formato das relações que estamos acostumados com nossa família, com nossos amigos, mudamos nossa profissão e até mesmo, mudamos tanto que ficamos na dúvida de quem somos. São vários lutos que precisam ser elaborados e investir em nossa saúde mental irá deixar os sentimentos mais organizados e as vivências mais leves.

A psicoterapia auxilia no entendimento dos processos que você está passando e conhecer melhor como você é neste novo cenário pode ajudar a não ter grandes consequências nesta grande mudança de vida. Buscar sua saúde é um componente crucial na sua adaptação. Muitas pessoas sofrem com a mudança e lidam com a depressão, Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e outros transtornos por não acrescentarem em seu plano de mudança, os cuidados emocionais.



By Patrícia Aquino




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